domingo, 7 de julho de 2013

Velocidade de Cruzeiro

Subia as escadas e vi que me olhava, cabelo preso em rabo-de-cavalo, fato de saia sobre o joelho e casaco azul escuro… Confirmei que era pra mim que ela olhava, quando a olhei nos olhos desviou o olhar… Ao entrar cumprimentei:
- Boa tarde! … Senti nas narinas aquele perfume… O aroma daquele perfume que eu conhecia tão bem!... Sem enganos, soube que aquele perfume era ‘Gucci’… E os lábios levemente pintados, davam-lhe um ar agradável e cativante.
- Boa tarde, tenha uma óptima viagem!
Sentei-me no lugar reservado e esperei que a viagem começasse. Antes de a viagem se iniciar passou pelo corredor para verificar se tudo estava em ordem com os passageiros, são procedimentos que fazem parte do seu trabalho. Recostei-me no banco e esperei aquele momento, o momento que me dá imenso prazer e a adrenalina no meu corpo sobe… O aumentar da velocidade do aparelho e depois quando inclina o nariz para o céu e sobe no espaço… Sinto prazer nesse momento, enquanto sobe e faz as manobras para o rumo e coordenadas certas até estar em velocidade de cruzeiro, depois deixo-me relaxar até a viagem terminar
Subia as escadas de acesso à cabine com olhar distraído, vinha na frente dos outros passageiros e assim, pude olhar aquele homem que chegava, não que me olhasse directamente, mas senti algo em mim e quando me olhou parece que me viu até ao mais profundo do meu ser, acho que nunca me tinha acontecido, olharem-me e sentir-me como que despida de corpo e alma, foi assim que me senti, parece que viu através dos meus olhos que eu não consegui desviar dos olhos dele a tempo, nunca me aconteceu, eu que sempre consigo ter olhar distante dos olhares indiscretos ali não consegui e bastou aquela fracção de segundo para eu ter vontade que aqueles olhos me olhassem novamente, eu também queria vê-los outra vez e foi isso que me levou a seguir disfarçadamente pelo corredor, senti que dele emanava um perfume, discreto mas agradável, ao passar vi os olhos dele e as minhas pernas tremeram, recostado no banco como que distraído mas os nossos olhares cruzaram-se…
Até à velocidade de cruzeiro mantive-me no lugar que tenho que ocupar, depois atender os passageiros e servir o que está planeado para a viagem, esperava essa altura para poder passar outra vez ao pé daqueles olhos e sentir outra vez o perfume suave e inebriante. Entre tantas pessoas, passageiros e colegas, acho que ninguém se apercebia que entre os nossos olhos havia linguagem, uma linguagem agradável para nós, desejei saber mais o que aqueles olhos escondiam, mas não conseguia, pelo pouco tempo a lê-los e porque parece que só deixavam ver o que queriam mas pude perceber que eles também queriam saber de mim, que havia desejo de olhar-me e talvez descobrir o que existia para lá do que viam… Passei em mente o que estava no meu corpo debaixo da roupa visível e soube que havia desejo de me ver, uma sensação agradável percorreu-me ao saber que causei desejo naquele homem e o desejo que ele descobrisse para além da roupa exterior foi intenso, sabia que não o ia desiludir… Mas ali?... Impossível!... E quando a viagem terminasse jamais seria… Que fazer?... Queria que ele me visse, sim!... E queria vê-lo também e descobrir mais além daqueles olhos… Mas que fazer?... Tudo ia terminar com a viagem…
Na pausa entre os afazeres estava ao fundo da cabine, seguia-mos a mais de dez mil metros de altitude em velocidade de cruzeiro a mais de oitocentos quilómetros por hora quando o vi aproximar-se, os lavabos eram ali ao lado, abriu a porta enquanto me olhou e entrou, mas deixou a porta demasiado tempo aberta que onde me encontrava tapava a visibilidade… Uma loucura assaltou-me e sem pensar entrei quase de rompante e o meu corpo ficou colado ao dele, a porta foi fechada e ficamos os dois naquele espaço exíguo, assim, corpos colados… Agora sim, olhos nos olhos ali bem perto pude ver o desejo intenso que aquele olhar brotava e eu senti-me bem, não queira saber de mais nada e mostrei-lhe com o meu olhar o desejo que tinha por saber… Aquele perfume embalou-me, e, sem me aperceber os olhos dele descobriram-me depois das mãos dele terem aberto a blusa e me acariciarem a pele… Sem pensar deixei-me levar, sem saber como, a minha saia subiu quase até à cintura e só tomei um pouco a consciência quando uma das minhas pernas rodeou-lhe as ancas e o senti dentro de mim… Com a boca abafou-me um grito que inconsciente ia soltar… Até os nossos corpos se separarem o beijo que sentia era suave mas intenso de desejo, eu dava e sentia… E ver o desejo por mim nos olhos daquele homem fazia-me bem… Era tão bom!...
Sair não seria fácil sem alguém se aperceber, mas ele com naturalidade saiu mas antes disse-me ao ouvido, – Saio e se alguém estiver perto volto a entrar como que tenha necessidade, se não, vou e fechas a porta… Fechei a porta e compus-me… Ao sair tentei ser natural, acho que consegui, pois não vi olhares indiscretos…
Até ao fim da viagem foi um martírio!...
À porta aguardava que todos os passageiros saíssem e ele saiu também.
- Boa tarde, obrigado pela viagem agradável.
- Boa tarde, obrigado por viajar connosco.
Que loucura me aconteceu!!!... Mas, não estou arrependia!...

Eu gosto de usar conjuntos condizentes, mas agora este meu ficou sem par, ele levou-me a peça rendada cor marfim… “SAFADO!!!...” Logo que puder vou telefonar-lhe para me devolver essa peça de roupa ou para vir buscar a que ficou no meu corpo a cobrir os meus seios, não quero que o conjunto fique separado, deixou o número do telefone aqui junto do meu coração, tinha baixado a alça do meu soutien e com aquela caneta preta que trazia no bolsinho da camisa escreveu no meu seio…  

Fazer Amor... Assim...

Um Olhar…
Dois Olhares…
Cruzar os Olhares…
Um toque…
Um Abraço… Um Beijo…
Um leve roçar de lábios…
O toque dos dedos…
Dedos nos dedos…
Mãos nas mãos…
O toque na pele… Sentir a pele…
Pele na pele… Lábios na pele…
Lábios a deslizar na pele… No Pescoço,
Nos ombros… Nos Seios até…
Entreabrir os lábios… Apertar entre os lábios…
Com a língua sentir a textura… Sim, aí!...
Aí… Sentir a carícia da língua…
Na barriga, no ventre sentir os lábios e a língua…
Deslizar pele na pele…
Apertar os corpos num abraço…
Assim… Fazer Amor…
Suave… Sentido…
Sentir desejo…
Sentimento incontido…
Carícias que já não bastam
Não aguentar… Não esperar mais…
Corpos que se unem… Se encaixam…
Pernas que abraçam o corpo…
Braços que apertam o corpo…

Dois corpos…
Assim são… Um Só…


Assim… Fazer Amor…

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tons de Branco

Tinha andado todo dia na rua… Não que esperasse encontra-lo, mas desejava.
Regressei a casa já ao fim da tarde, quando o fresco já se sentia.
Entrei em casa e fui até à sala, liguei a televisão mas nada me despertou interesse.
Fui até ao quarto e olhei-me ao espelho. Achei-me ainda bela e sensual… Saltos altos, uma saia sobre o joelho e a blusa com transparência como gosto. Denotava-se o soutien preto rendado… Achei-me ainda bem sensual e sabia que provocava desejos a ele. Gostava de o ter encontrado hoje. Pelo menos para o ver e conversar na esplanada.
Decidi ir tomar um banho. Olhei para o meu quarto hoje decorado em tons de branco. Sobre a cama tinha uma colcha branca debruada a vermelho e macia, as almofadas bordadas a vermelho com motivos florais. Passei a mão pela colcha e depois ali em pé em frente do espelho fui-me despindo lentamente como um ritual… Um ritual que adorava um dia fazer para ele… Sei que ele devia gostar… Deixei cair a saia e depois abri lentamente a blusa… Desci dos sapatos depois de estar completamente despida… Tirei as meias e fui para o quarto de banho onde a banheira já estava cheia de água quente…
Deitei-me na banheira e a água envolveu meu corpo sedento… Fechei os olhos e quase adormeci… Derramei sobre o corpo o creme de banho perfumado. Adoro perfumar o corpo no banho…O banho foi demorado, pois tinha todo o tempo.
Quando saí do banho envolta na toalha branca e debruada a vermelho. Fiquei em frente do espelho olhando-me… Via o meu corpo que já não era o de outro tempo mas ainda me achei sensual…. Sabia que ele havia de gostar de me ver. Abri o armário roupeiro e escolhi a minha melhor lingerie… Branco… Hoje queria vestir-me de branco… Meias, cinto-ligas, um corpete rendado e transparente, uma tanguinha rendada e um robe leve atado pela cinta com uma fita de cetim . Calcei umas sandálias vermelhas de salto… Antes de me vestir assim, maquilhei-me… Sombreei os olhos… Pintei as unhas de vermelho e por fim um gloss vermelho nos lábios… Sabia que estava bem sensual… Apetitosa como diria ele…
Fui até à sala e sentei-me a ver tv… Os pensamentos voavam… Não via a tv nem que programa passava… Os pensamentos estavam vertiginosos e caíam sobre ele…Recostei-me no sofá e estendi as pernas… Fechei os olhos e via-o…
O meu corpo tremeu com os meus pensamentos nele… quase que sentia as mãos dele no meu corpo…sentia os seus beijos… o seu toque suave e firme dos seus dedos na minha pele que se arrepiava… No meu corpo pousei as minhas mãos e imitava os seus carinhos… Flecti as pernas e apoiei as sandálias de salto no assento do sofá quando senti os meus dedos em mim imaginando os dele…os saltos quase se enterravam na almofada do assento do sofá ao me sentir tocada e me apoiar nas pernas tensas…sentia todo meu corpo vibrar e arder… Sentia a minha pele arrepiada na ponta dos dedos…Sentia o rendado do soutien na ponta dos dedos como sabia que ele gostava de sentir… Os mamilos estavam rijos e toquei-lhes…
Decidi então ir para o quarto… Entrei e fechei a porta como que estivéssemos os dois para ficarmos sozinhos…
Atirei-me em cima da cama…Assim… Fechei os olhos e via-o… Tanto como o desejava… O meu corpo ardia… As minhas mãos deslizavam pela minha pele quente… Sentia-me na ponta dos dedos… Sentia os meus dedos em mim… Tremia…
Acho que adormeci… Voei no espaço… O meu corpo estava em chamas… Senti-me trespassada por lança ardente e meu corpo parece que se estilhaçou em mil pedaços… Sentia-o em mim… Quente e pulsante… Era um sonho quase real… Senti minhas vestes arrancadas do meu corpo e ser invadida…
Acordei… Na cama revolta… O meu cabelo em dasalinho… Minha roupa, antes, perfeita, branca e imaculada, estava agora quase fora do meu corpo que mais nu que despido, molhada com meu suor… A colcha revolta parecia que levada por furacão…
Olhei o relógio em cima da mesinha de cabeceira e eram 5h da madrugada…
Que me tinha acontecido?… Deixei-me ficar assim prostrada nessa rebelião da cama e do meu espírito…
Teria sonhado???... Não sabia…
O aroma dele estava no ar… Seria sonho… Não me conseguia levantar… Meu corpo dorido… Ainda fervia…
Sentia nas narinas aquele perfume… O perfume dele… O quarto estava impregnado com o perfume que ele usava e que me causava arrepios sempre…
Recostei-me na cama pra olhar em volta na penumbra do quarto… Onde estava ele?... Tinha que estar ali… Chamei… Só o silêncio me respondeu… Mas o Perfume… Ele só poderia ter estado no quarto…
Deixei-me cair novamente na cama e ali fiquei até o dia me acordar… O meu corpo ainda o sentia…
Levantei-me já o sol entrava pela janela…
Tomei um banho…E acreditei no sonho…
Faltava uma peça de roupa ao meu conjunto de lingerie branco… Só ele poderia ter ‘roubado’…
Não o vi… Mas senti-o em mim…
Seria sonho ou real?...


E nessa manhã saí para a rua com um sorriso…