quarta-feira, 29 de abril de 2015

Noite de Lua-Cheia

NOITE DE LUA-CHEIA

Chegou já de noite aquela cidade e hospedou-se no único hotel que tinha lugar vago… No hotel decorria uma festa e ele depois desceu do quarto e foi até ao salão onde decorria um baile. Era um baile de gala. Nessa noite não lhe apetecia sair para outro sítio apesar de ser noite de lua cheia que ele tanto adorava.
Ali ficou a observar o baile. A música era agradável e encostou-se a ver os pares de dança a rodar pelo salão. Ficou encostado ali junto da porta ampla que se abria para o salão de baile e observava tudo o que se passava.
Ao fundo viu uma mulher sentada em uma poltrona… Vestido preto algo longo com uma racha que deixava ver uma perna e rendado sobre o peito que lhe moldava os seios redondos…
Aquela mulher prendeu-lhe o olhar e ficou a pensar que gostava de a convidar para uma dança. Pois era uma mulher cativante de sorriso lindo, ela nesse momento sorria para umas amigas e ele percebeu que elas a tentavam levar para dançar. Mas viu que ainda ficou ali sentada como rainha sentada na poltrona.
Foi caminhando em redor da sala e no bar que havia ali pediu uma bebida. Encostou-se ao balcão que ficava no lado oposto onde ela estava e ficou olhando. Aquela mulher parece que o electrizou. Atraia-o como um íman… Talvez telepatia, ou talvez outra coisa qualquer, fez com que os olhares atravessassem a sala e ela viu-o também… Ao longe pareceu-lhe que ela sorria para ele.
Não esperou mais e caminhou pela sala contornando os pares que dançavam e aproximou-se dela. Ficou em pé junto dela ali bem na sua frente. Ela sentada olhava para cima directamente nos seus olhos. Aquele silêncio falava por eles. E algo como uma faísca percorreu-lhes o corpo e ele falou.
- A senhora tem par? É que eu percorri uma grande distância para a vir convidar para dançar….
Ela sorriu, pois percebeu que ele se referia à distância entre o balcão do bar e aquele sítio.
- Não tenho par não, senhor.
Ela viu-o estender-lhe a mão e ela estendeu a dela que sentiu ser agarrada levemente mas firme, pelos dedos da mão dele e um tremor percorreu-lhe o corpo ao sentir na sua a mão dele… Há muito tempo que um homem não se dirigia assim a ela, com delicadeza, mas com firmeza no pedido de dançar. Não conseguiu recusar, mas também porque desejou dançar com aquele homem ali aparecido sem saber de onde. E aqueles olhos penetravam-lhe no íntimo que não conseguia esconder… Parecia que ele via toda a sua alma através dos olhos. E sentiu-se levada até ao meio dos pares dançantes. Ainda conseguiu ver os sorrisos das amigas ao verem-na ser levada a dançar por um desconhecido.
Dançavam… Sentia-se levada no rodar da valsa… Sentia-se presa por aqueles braços e mãos, suavemente presa mas firme… E o que mais a prendia eram aqueles olhos, de onde dificilmente conseguia afastar os seus.
- Porque disse que percorreu grande distância para me convidar para dançar, se estava tão perto ali encostado no balcão do bar?
Ele sorriu e falou…. Aquele sorriso derreteu-lhe todas as defesas que tinha para se defender dele, se ela queria ser defendida…
- Sim…Percorri… Dizia ele ao seu ouvido como sussurro entre a música que se ouvia, mas ela era bem capaz de ouvir aquele murmúrio da voz dele que lhe penetrava o íntimo e lhe sabia tão bem… Aquela voz fez-lhe ter uns pensamentos que nunca imaginou ter… E ele continuou a falar-lhe ao ouvido… - A distância entre o balcão e a senhora não era muita, mas não é fácil eu vir assim pedir a uma mulher para dançar…Por isso, acho que percorri grande distância…
E ela perguntou, por curiosidade e porque queria ouvir outra vez a voz dele assim ao ouvido como um sopro, e sentir a respiração dele assim ali no pescoço.
- Não é fácil você ser assim? Assim como?...
- Porque eu sou meio tímido e sei dançar mal… Por isso…
Ela sentia-se levada na dança como que voasse e achou que ele estava a mentir mas sorriu e deixou-se levar… Ele gostou de ver o sorriso dela e rodou-a em mais uma volta da dança…
Quando a música parou repararam que quase só eles dançavam e todos os olhavam e ela ainda sentia nas suas as pernas dele que se encostavam nas voltas da dança… Ele sentia nas suas, as pernas dela que a saia do vestido pela racha deixava a descoberto…
Saíram do espaço onde dançaram e ele segurava a mão dela, as amigas dela sorriam ao vê-la seguir assim com ele…
Foram até junto do bar e pediram uma bebida para cada um. Enquanto bebiam sentaram-se num sofá que havia ali num recanto da sala e ele disse.
- Obrigado por esta dança. Foi das melhores coisas que me aconteceram nos últimos tempos… Está uma noite linda… Hoje é noite de lua-cheia…
- Sim… Eu sei… Gosto de ver.
- Vamos até lá fora ver a lua?...
- Sim vamos….
E saíram de mão dada como dois namorados… O hotel ficava junto da praia que distava somente o espaço de um amplo jardim… Caminharam pela areia macia, a noite estava amena… Uma brisa fez o cabelo dela esvoaçar e ele achou lindo e ficou a ver com um sorriso.
- De que sorris?
- Ficas linda assim com o cabelo ondulando ao sabor da brisa….
E uma brisa mais forte fez-lhe o vestido leve esvoaçar mostrando uma perna dela até à coxa redonda e sensual…. E ela sorriu para ele… Os sapatos enterravam-se na areia, ela parou e tirou-os ficando com eles na mão… E assim caminharam até junto das ondas que se desfaziam em rendilhado branco na areia fina… Um rendilhado que se assemelhava ao rendado do vestido dela sobre o seu peito………………………………
Caminharam… passo a passo… Lado a lado… Pegou na mão dela… Ela deu-lhe a mão carinhosamente… Olharam-se e sorriram… Sentiu na mão, a mão quente dele… E um calor invadiu-lhe o corpo e a brisa no rosto soube-lhe bem…
O vento leve e fresco fazia-lhe esvoaçar a saia do vestido preto de tecido leve que com os passos se colava às suas pernas e denunciava os contornos sensuais das coxas…
Ele olhou-a de cima a baixo e ela tremeu… Sabia que ele via o seu corpo através e debaixo do tecido e sentiu a pele ficar arrepiada ao sentir aquele olhar que, como que acariciasse a sua pele… Viu os lábios dele desenharem um sorriso e desejou que aqueles lábios a beijassem por inteiro…
Com os dedos entrelaçados caminhavam de mão dada… Ele soltou a mão e colocou-lhe o braço no ombro… Puxou-a e ela encostou-se ao seu corpo… Sentiu-lhe o calor do corpo rijo e percebeu que ele era um homem do trabalho duro…Sentia-lhe os músculos do peito tensos e desejou tocar-lhe…
Ali mais afastados da festa e do rendilhado das ondas ficaram a olhar o mar de águas brilhantes pela luz da lua cheia que estava quase no ponto máximo iluminava a noite amena de brisa suave…
Sentaram-se na areia… Lado a lado… Ele pousou a mão no ombro dela e ela encostou a cabeça ao seu peito… Sentiu-lhe o aroma do perfume que emanava do seu corpo e do seu cabelo e desejou-a intensamente…
Afastou-lhe o cabelo e beijou-lhe o pescoço e ela teve um arrepio ao sentir aqueles lábios na sua pele… E uma onda de desejo percorreu-lhe o corpo inteiro… sentia-se tremer…
Olhou-o…
Olhou-a…
Os lábios desejavam-se… E colaram-se um beijo terno e meigo…
Ela rodou um pouco o corpo e lançou-lhe a mão ao pescoço e ofereceu-lhe a boca sedente de um beijo intenso… O beijo foi longo…longo…e sentiram os sabores e gostos…
Não queriam separar-se desse beijo e desse abraço…
Ela depois sentou-se na sua frente entre as suas pernas e ele abraçou-a assim por detrás… Amparava-lhe o corpo e beijou-lhe o cabelo…
Tacteava com os dedos a sua barriga… Sentia-lhe a pele através do rendado do tecido…Ela encostou-se para trás sentindo esse carinho que a estava a levar pelo éter… Sentiu as mãos dele tocarem-lhe os seios e recostou-se mais no seu peito… Inclinou a cabeça para trás e a sua boca pedia mais um beijo intenso… Foi beijada intensamente…
As suas pernas estavam flectidas e o vestido já em desalinho mostrava as coxas… Sentiu nas pernas as mãos masculinas com os dedos tensos… E deixou que aqueles dedos lhe acariciassem a pele quente…
Sentiu aquela mão atrevidamente a acariciar… Queria mais… E sentiu os dedos dele tocarem-lhe onde a fez tremer e desejar mais… Aquele pequeno pedaço de tecido rendado já não a protegia e ela não queria que aquele ladrão deixasse de roubar-lhe toda a sua sensatez e guiou-lhe a mão para si… O vestido já tinha deixado cair uma alça do ombro e um seio era sustido pela mão dele que sentia o mamilo rijo entre os dedos… Ela suspirou… Rodou o corpo para se dar a ele… Lançou-lhe os braços ao pescoço e colou-se a ele… Abriu-lhe a camisa e acariciou-lhe o peito sentindo a pele quente… Beijou-lhe o peito… E deixou os lábios escorregarem na pele sensível dele…
Já nada importava… A paixão tomava conta deles e das suas vontades… Viu como o desejo dele era intenso… Toucou-lhe… Sentiu-o na sua mão… Sentiu a sua mão molhada… Queria quele pedaço do homem em si… Queria-o sentir… Queria que seu corpo se moldasse ao dele… Desejava que quele corpo a fizesse vibrar e lhe afagasse o interior…
Caíram na areia que serviu de cama… Sentia-o pulsante e intenso… Ele procurava-a… Ela não se conteve e deu-se a ele… Fechou os olhos ao senti-lo… Tremeu… Tremeram… Agarrou-lhe as costas e cravou-lhe as unhas na pele… Ondularam intensamente ali sobe a luz do luar…
Voaram nas asas do infinito… Perderam o tino… E deixaram que aquele anseio os dominasse por completo…
Caíram extasiados na areia… Ela ainda enlaçava o corpo dele com os braços e pernas… sentia-o ainda no seu corpo dormente…
Deixaram os seus corpos retomarem a acalmia e abraçaram-se com um abraço forte…
Depois caminharam lentamente lado a lado de mão na mão…
Ela encostou o seu corpo ao dele e sentia o braço dele no seu ombro… Levava os sapatos na mão… O vento ainda lhe fazia esvoaçar a saia do vestido que se abria pela abertura e mostrava as suas pernas que estavam ainda tremulas…
Ao chegar ao local da festa muitas pessoas já saiam… As amigas dela esperavam-na com olhares inquiridores… Ela sorriu-lhes com um brilho especial nos olhos… E as suas amigas viram que os dois pares de olhos que ali chagavam brilhavam especialmente…
Despediram-se ali e ela disse para as amigas…
- Boa noite… Até amanhã… E não deixou de sentir a mão no ombro até entrar no quarto até o seu vestido preto de saia rodada e ondulante lhe abandonar o corpo e o seu corpo se abandonar ao corpo daquele homem desconhecido que a tinha levado ao éter e depois naquele quarto a levou a voar pelo infinito….


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